Viagem de 2 mil km, promessa de vida no campo: entenda caso de homem 'enganado' por 'mulher de IA' e saiba identificar perfis virtuais

O que mulher criada por IA que 'enganou' homem promete a seguidores nas redes sociais Uma viagem de mais de 2 mil quilômetros, a expectativa de encontrar uma c...

Viagem de 2 mil km, promessa de vida no campo: entenda caso de homem 'enganado' por 'mulher de IA' e saiba identificar perfis virtuais
Viagem de 2 mil km, promessa de vida no campo: entenda caso de homem 'enganado' por 'mulher de IA' e saiba identificar perfis virtuais (Foto: Reprodução)

O que mulher criada por IA que 'enganou' homem promete a seguidores nas redes sociais Uma viagem de mais de 2 mil quilômetros, a expectativa de encontrar uma companheira e a promessa de uma nova vida em uma fazenda terminaram em frustração para o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, nesta semana. No último domingo (11), ele saiu de Imperatriz (MA) e foi até Belo Horizonte à procura de uma mulher que acreditava ser real. Ao chegar à capital mineira, entretanto, descobriu que a suposta pretendente era, na verdade, uma personagem criada por inteligência artificial (IA). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp A mulher virtual se apresentava nas redes sociais como "Jéssica Oliveira" e "Jéssica Fazendeira". Só no TikTok, o perfil acumulava mais de 300 mil seguidores. Com aparência e voz realistas, o avatar aparecia em cenários rurais e vídeos em que dizia procurar um companheiro, prometendo sustentar o futuro parceiro em uma fazenda. Edimar afirma que manteve conversas privadas com o perfil e que se sentiu enganado. O responsável pela página, no entanto, negou qualquer contato direto com ele e disse que a personagem foi criada com o objetivo de conseguir engajamento para vendas. Entenda o caso a partir dos seguintes pontos: Quem é o pedreiro que viajou mais de 2 mil km? Quem é 'Jéssica Fazendeira'? O que a personagem promete nos vídeos? Houve conversas privadas? Como Edimar descobriu que a mulher não existia? O caso é considerado um crime? Como identificar uma pessoa criada por IA? Que cuidados tomar antes de confiar em alguém nas redes? LEIA TAMBÉM: Homem viaja mais de 2 mil km e descobre que 'pretendente virtual' foi criada por IA O que mulher criada por IA que 'enganou' homem promete a seguidores nas redes sociais 'Mulher' criada por IA nega em vídeo ter tido conversas privadas e ter feito convites para viagem Pedreiro que viajou mais de 2 mil km atrás de mulher criada por IA diz que vendeu tudo para ir a MG Quem é o pedreiro que viajou mais de 2 mil km? Edimar Rocha Martins tem 49 anos e é tocantinense. Ele contou ao g1 que conheceu "Jéssica" depois que vídeos da personagem começaram a aparecer nas redes sociais. Segundo o pedreiro, a partir daí, os dois passaram a "conversar". Edimar estava em Imperatriz, no Maranhão, quando decidiu viajar para Belo Horizonte. Ele saiu da cidade na sexta-feira (9) e chegou à capital mineira no domingo, depois de percorrer mais de 2 mil quilômetros de ônibus. "Eu vim em busca de uma felicidade, né?! Eu tenho 49 anos, sou divorciado", contou após relatar a decepção por não conseguir encontrar a mulher. Ainda conforme Edimar, por nunca ter havido pedido de dinheiro, ele não desconfiou da situação. Pelo contrário, ele disse ao g1 que a suposta pretendente oferecia ajuda financeira e chegou a falar em pagar a passagem dele. Em entrevista à TV Mirante, afiliada da Globo no Maranhão, o pedreiro também afirmou que vendeu todos os bens que tinha para fazer a viagem. “Vendi minhas coisas todas, acabei com tudo. Assim a gente desanima, quem não desanima?”, lamentou Edimar. Quem é 'Jéssica Fazendeira'? "Jéssica Oliveira", também apresentada como "Jéssica Fazendeira", não é uma pessoa real. Ela é uma personagem criada por inteligência artificial e aparecia em vídeos com aparência e voz humanas, geralmente ambientados em propriedades rurais. Nas redes sociais, o avatar dizia estar à procura de um homem para dividir a vida no campo. O perfil acumulava mais de 300 mil seguidores no TikTok e também tinha conteúdo no Kwai. A página também era usada para divulgar produtos vendidos pela internet. O responsável pelo perfil afirmou posteriormente que o objetivo da personagem era gerar engajamento para vendas e, depois da repercussão do caso, apagou os vídeos. O que a personagem prometia nos vídeos? Nos vídeos públicos, "Jéssica" se dirigia principalmente ao público masculino e falava sobre dinheiro, relacionamento e vida no campo. Em uma das publicações, dizia querer que um homem fosse morar na fazenda, no interior de Minas Gerais, para ter uma "vida de rei". Em outras, afirmava que pretendia bancar o futuro companheiro e que ele não precisaria trabalhar. "Eu moro sozinha aqui na minha fazenda e sinto falta de ter companhia pra conversar e dividir a vida. Alguém que queira somar comigo, sabe?", afirmou em um dos posts. "Eu quero te bancar. Quero que você pare de trabalhar pra ficar só tranquilo", disse também. Houve conversas privadas? Edimar afirma que manteve conversas privadas com o perfil de "Jéssica" e que recebeu propostas relacionadas à viagem. Segundo ele, a personagem se oferecia para pagar a passagem, buscá-lo e fornecer um endereço. Do outro lado, o responsável pelo perfil nega que essas conversas tenham ocorrido. Em um vídeo publicado com a própria personagem virtual, a página afirmou que nunca manteve contato direto com o pedreiro e disse que o conteúdo tinha como objetivo gerar engajamento para vendas. Como ele descobriu que a mulher não existia? Edimar chegou a Belo Horizonte sem ter o endereço da mulher que pretendia encontrar. Já na cidade, passou a mostrar fotos dela e perguntar a pessoas nas ruas se alguém a conhecia. Também procurou ajuda de uma rádio. Conforme o pedreiro, foi depois das tentativas frustradas que percebeu que "Jéssica" não existia e que havia sido criada artificialmente. "Eu já andei com várias fotos, mostrando e perguntando se alguém conhecia essa pessoa e todos falaram que não. Então, eu me senti enganado", relatou ao g1. Depois, Edimar recebeu atendimento da Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele teve acesso a alimentação, banho e orientações sobre riscos envolvendo golpes nas redes sociais. Após avaliação da equipe técnica, recebeu uma passagem para Augustinópolis (TO), sua cidade natal. O caso é considerado um crime? Até o momento, não é possível afirmar que o caso se trata de um crime. Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que não encontrou registros de ocorrência relacionados ao fato. De acordo com a instituição, a criação de um personagem fictício por inteligência artificial, por si só, não é um delito. A situação pode mudar de natureza quando a tecnologia é usada para enganar alguém com o objetivo de obter vantagem ilícita. Nesses casos, segundo a PCMG, a conduta pode configurar estelionato ou fraude eletrônica. A corporação afirmou, porém, que não é possível dizer que isso ocorreu no episódio envolvendo Edimar sem apuração das circunstâncias e identificação de eventuais responsáveis. Como identificar uma pessoa criada por IA? Conforme o especialista em inteligência artificial, marketing e gestão de Tecnologia da Informação Samuel Costa ouvido pelo g1, o avanço das ferramentas tornou a criação de personagens virtuais acessível mesmo a pessoas sem conhecimento tecnológico avançado. Alguns indícios que podem aparecer em vídeos produzidos por IA são: movimentos pouco naturais; expressões faciais estranhas; falhas na sincronização entre voz e movimento dos lábios; inconsistências visuais ao longo do vídeo. Mas há uma ressalva importante: essas falhas estão ficando cada vez menos evidentes à medida que a tecnologia melhora. Por isso, identificar um conteúdo artificial apenas pela aparência pode não ser suficiente. Costa recomenda verificar principalmente a origem do vídeo, quem controla o perfil, se a conta é confiável e se existem outras fontes que confirmem aquelas informações. Que cuidados tomar antes de confiar em alguém nas redes? A Polícia Civil recomenda confirmar a identidade de pessoas conhecidas pela internet antes de fazer viagens ou transferências financeiras. Se houver suspeita de fraude, a orientação é guardar mensagens, comprovantes e outras evidências digitais e registrar um boletim de ocorrência. Pedreiro que viajou para BH em busca de mulher criada por IA vendeu tudo para comprar passagem Reprodução/TV Mirante e redes sociais Os vídeos mais vistos do g1 Minas: