Vereadora de Juiz de Fora é condenada a pagar R$ 200 mil por orientar empresários a não contratar pessoas de esquerda

A Justiça do Trabalho condenou a vereadora de Juiz de Fora e deputada estadual eleita Roberta Lopes (PL) a pagar R$ 200 mil por danos morais coletivos após um...

Vereadora de Juiz de Fora é condenada a pagar R$ 200 mil por orientar empresários a não contratar pessoas de esquerda
Vereadora de Juiz de Fora é condenada a pagar R$ 200 mil por orientar empresários a não contratar pessoas de esquerda (Foto: Reprodução)

A Justiça do Trabalho condenou a vereadora de Juiz de Fora e deputada estadual eleita Roberta Lopes (PL) a pagar R$ 200 mil por danos morais coletivos após uma publicação nas redes sociais em que orientava empresários a não contratar pessoas de esquerda. A decisão, do juiz Eduardo Atalla Barletta, da 3ª Vara do Trabalho de Juiz de Fora, também determina que ela retire vídeos e mensagens que incentivem a discriminação de trabalhadores de suas redes sociais, especialmente as publicações feitas em 12 de setembro de 2025. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp A sentença, assinada na quinta-feira (5), ainda cabe recurso. O g1 Zona da Mata fez contato com a assessoria da vereadora, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. Roberta Lopes (PL) Reprodução Portal Roberta Lopes Ainda segundo a sentença, Roberta deverá fazer uma postagem de retratação em todas as redes sociais em que possui perfil. Na mensagem, terá que reconhecer que a publicação anterior deve ser desconsiderada e esclarecer que a legislação brasileira proíbe qualquer tipo de discriminação no trabalho por convicções políticas, ideológicas ou outras características pessoais. A parlamentar terá 48 horas, a partir da intimação judicial, para cumprir as determinações. Em caso de descumprimento, poderá ser multada em R$ 50 mil por dia, por obrigação descumprida e a cada irregularidade constatada. Proibição de novas publicações discriminatórias A sentença também proíbe Roberta de divulgar novas mensagens que incentivem a exclusão ou o tratamento desigual de pessoas no acesso ao emprego ou na manutenção do trabalho. A restrição vale para conteúdos que estimulem a discriminação por opinião política, ideologia, raça, cor, sexo, religião, origem social, estado civil, situação familiar, deficiência ou idade, entre outros critérios previstos na decisão. Relembre o caso O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação contra a vereadora após identificar publicações consideradas discriminatórias nas redes sociais. Uma das mensagens foi divulgada em 12 de setembro de 2025, no Instagram, e compartilhada no Facebook. Na publicação, Roberta orientava empresários a não contratar pessoas identificadas com a esquerda política. O conteúdo trazia a frase: "Hey empresário e empreendedor, não contrate esquerdista!". Na sequência, a parlamentar recomendava que os empregadores verificassem as redes sociais e os posicionamentos políticos antes de contratar. Durante a investigação, o MPT propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas a proposta não foi aceita pela vereadora. Ao analisar o caso, a Justiça considerou que as manifestações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e incentivaram a discriminação política nas relações de trabalho. Segundo a sentença, a conduta configura assédio eleitoral e viola direitos fundamentais, como a igualdade de tratamento e o direito ao trabalho. Vereadora é processada por Felipe Neto A condenação ocorre em meio a outra controvérsia envolvendo a parlamentar. Na sexta-feira (6), o influenciador digital Felipe Neto confirmou ao g1 Zona da Mata que entrou com uma ação judicial contra Roberta Lopes por compartilhar uma montagem com informações falsas atribuídas a ele. Segundo o influenciador, outras nove pessoas também foram processadas por divulgar o conteúdo nas redes sociais. Ele preferiu não revelar os nomes dos demais envolvidos. A montagem compartilhada pela vereadora mostrava uma suposta publicação de Felipe Neto com a frase “com Bolsonaro você era mais pobre”, acompanhada de uma comparação dos preços da gasolina, do óleo, da picanha e do arroz, além da cotação do dólar, entre os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Felipe Neto negou a autoria da publicação e contestou os valores apresentados. Segundo ele, o conteúdo falso circula na internet há anos e volta a ser compartilhado em períodos de maior movimentação política. O influenciador afirmou, ainda, que Roberta apagou a postagem, mas que a exclusão não será suficiente para interromper o processo. O g1 Zona da Mata também procurou a assessoria da parlamentar para se posicionar sobre o assunto, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem. Agora no g1 LEIA TAMBÉM: Felipe Neto processa deputada eleita em MG por fake news Justiça determina que vereadora de Juiz de Fora retire post que orientava empresários a não contratar pessoas de esquerda VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes