MP denuncia 'Serjão do PCC', esposa, filhas e outras 28 pessoas por esquema milionário de tráfico de drogas em Uberlândia

Pai e filhas são investigados por tráfico internacional e lavagem de dinheiro O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou 31 pessoas por envolvime...

MP denuncia 'Serjão do PCC', esposa, filhas e outras 28 pessoas por esquema milionário de tráfico de drogas em Uberlândia
MP denuncia 'Serjão do PCC', esposa, filhas e outras 28 pessoas por esquema milionário de tráfico de drogas em Uberlândia (Foto: Reprodução)

Pai e filhas são investigados por tráfico internacional e lavagem de dinheiro O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou 31 pessoas por envolvimento em crimes de tráfico interestadual de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados na Operação Mens Occulta estão Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", a esposa e as duas filhas dele. O MPMG também pede que seja fixado o valor de R$ 10 milhões como reparação mínima pelos danos causados pelas infrações penais e pelo dano moral coletivo decorrente da atuação da organização criminosa. Além disso, requer a perda, em favor da União, dos bens e valores apreendidos e sequestrados durante a operação. Caso a Justiça aceite a acusação do MPMG , os denunciados passarão à condição de réus no processo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Em nota, José Carlos de Oliveira Campos, advogado de defesa de Mário Sérgio Nunes e da família, informou que tomou conhecimento da denúncia e fará a análise técnica do documento. Por se tratar de autos sigilosos, o advogado afirmou que não comentará provas específicas, mas disse "estar confiante de que a Justiça prevalecerá". Em julho deste ano, a Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Mens Occulta e indiciou Mario Sergio, as duas filhas e mais 25 investigados. O relatório final reforçou a suspeita de que a organização utilizava familiares, empresas e terceiros para ocultar patrimônio e movimentar recursos provenientes do tráfico de drogas. Dos 25 mandados de prisão expedidos no âmbito da Operação Mens Occulta, 22 foram cumpridos, segundo as informações da investigação. Três pessoas continuam foragidas e são procuradas pelas autoridades. Organização criminosa dividida em cinco núcleos Segundo a denúncia, as investigações da Polícia Federal tiveram início após a apreensão de 312,1 quilos de cocaína na região do Triângulo Mineiro, em setembro de 2024. A partir desse flagrante, os investigadores identificaram uma organização criminosa que atuava de forma estruturada e permanente no tráfico interestadual de drogas e na lavagem de dinheiro. Mario Sergio Nunes preso operação "Mens Occulta" Uberlândia Redes Sociais/Reprodução De acordo com o MPMG, o grupo foi ligado a dez grandes apreensões de drogas realizadas entre 2024 e 2026, que resultaram na interceptação de mais de 2,2 toneladas de cocaína, além de armas de fogo e grandes quantias em dinheiro. A denúncia descreve uma organização criminosa dividida em cinco núcleos: liderança, logística, transporte, armazenamento e distribuição de drogas, além do núcleo responsável pela ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro. Conforme o documento, Mario Sergio exercia o comando da organização, sendo responsável pela contratação de carregamentos de drogas em regiões de fronteira, coordenação de rotas, aquisição de veículos e gerenciamento das operações financeiras do grupo. Entendo como funcionava o esquema da família investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Uberlândia g1 Operação apreendeu cavalos, ranchos e bens de luxo Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu imóveis urbanos e rurais, embarcações, veículos de luxo, cavalos de raça, motor home, motos aquáticas e outros bens que, segundo a investigação, teriam sido adquiridos com recursos provenientes do tráfico de drogas e ocultados por meio de terceiros. A operação ganhou repercussão pela quantidade e pelo valor dos bens apreendidos, que incluíam propriedades de lazer e patrimônio de alto padrão atribuídos aos investigados. Brenda Nunes foi indiciada junto ao pai, a irmã e o ex-namorado Reprodução/Redes Sociais PF apontou movimentações milionárias Segundo a denúncia, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificaram movimentações consideradas incompatíveis com a renda formal dos investigados. O documento aponta operações financeiras superiores a R$ 79 milhões, realizadas por meio de empresas de fachada, utilização de terceiros e sucessivas transferências patrimoniais destinadas a ocultar a origem dos recursos. Os investigadores também identificaram imóveis urbanos e rurais, veículos de luxo, empresas e outros bens registrados em nome de familiares e pessoas ligadas ao grupo. Apreensões durante a operação Mens Occulta da PF Uberlândia Esvaziamento patrimonial antes da operação Outro ponto destacado na denúncia é o que o MPMG classificou como um processo de esvaziamento patrimonial promovido por Mario Sergio nos dias que antecederam a deflagração da Operação Mens Occulta. Segundo o documento, ele negociou imóveis rurais, ranchos, terrenos e veículos, além de adotar medidas para retirar seu nome de registros públicos relacionados aos bens. Entre os casos citados está a venda de uma chácara no Condomínio Praia de Miranda. A denúncia afirma que o imóvel foi negociado por R$ 230 mil, valor considerado abaixo do mercado pelos investigadores, e que havia urgência na transferência da propriedade antes da operação policial. LEIA MAIS: Quem é quem no esquema de família investigada por tráfico e lavagem de dinheiro O que se sabe sobre esquema de família investigada por tráfico de drogas PF apreende cavalo de competição e flutuante com pista de dança ligados à família O documento também aponta que duas BMW X2 registradas em nome das filhas teriam sido devolvidas a uma concessionária de Uberlândia poucos dias antes da operação. Segundo a denúncia, a justificativa apresentada foi a falta de pagamento das parcelas, mas o MPMG sustenta que a medida teve como objetivo ocultar patrimônio. A denúncia ainda relata que, após uma apreensão de 440,8 quilos de cocaína em Goiás, em abril de 2026, Mario Sergio teria trocado o aparelho celular e o número de telefone que utilizava. Conforme o documento, também foram encontradas pesquisas realizadas por ele na internet com termos como "saber se um telefone está grampeado" e "ver operação na data de hoje na cidade de Uberlândia Minas Gerais". Para o MPMG, os registros indicam preocupação com ações de investigação e repressão policial. PF pediu sequestro de imóvel ligado à família Nunes, investigada na operação Mens Occulta PF/Reprodução O que disse a defesa da família Nunes "A defesa tomou conhecimento, por meio da imprensa da conclusão do inquérito policial. Contudo, até o presente momento, não teve acesso ao relatório final nem aos elementos produzidos na investigação. Em respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, qualquer manifestação sobre o mérito seria precipitada e irresponsável antes da análise integral dos autos. Assim que for franqueado o acesso à defesa, será realizada a devida avaliação técnica, oportunidade em que eventuais esclarecimentos poderão ser prestados. A defesa reafirma sua confiança no Poder Judiciário e seguirá adotando todas as medidas legais necessárias para assegurar o pleno exercício do direito de defesa de seus constituintes." frota família tráfico uberlândia mens occulta PF/Divulgação VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas