Minas teve 82 mil hectares queimados em 2026; mais de 5 mil inquéritos sobre incêndios foram abertos desde 2021
Incêndio na Serra do Curral TV Globo/ Reprodução Minas Gerais teve 82.138 hectares de áreas queimadas entre janeiro e 30 de agosto deste ano, segundo dados ...
Incêndio na Serra do Curral TV Globo/ Reprodução Minas Gerais teve 82.138 hectares de áreas queimadas entre janeiro e 30 de agosto deste ano, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Além disso, mais de 5 mil inquéritos foram abertos no estado entre 2021 e julho deste ano para investigar incêndios que colocaram em risco o patrimônio ou a vida de pessoas. Desse total, 4.385 foram concluídos e 394 pessoas foram indiciadas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Segundo a tenente Ana Carolina Coelho, do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), a ação humana está por trás da quase totalidade dos incêndios em vegetação. “99% dos incêndios em vegetação são provocados pela ação humana. Apenas 1% é causado por fatores naturais, como raios, por exemplo”, afirmou. Tempo seco favorece propagação do fogo De acordo com a tenente, as condições do período de estiagem contribuem para que um foco de incêndio se espalhe mais rapidamente. “O tempo seco, a baixa umidade, a vegetação seca, as altas temperaturas e o vento proporcionam uma propagação mais rápida neste período de estiagem”, explicou. Entre as situações que podem dar início ao fogo estão jogar pontas de cigarro sobre a vegetação seca e usar fogo para limpar terrenos ou queimar folhas. Em áreas urbanas, segundo Ana Carolina, as chamas podem se espalhar para rodovias e imóveis. O acúmulo de fumaça também representa riscos à saúde e ao meio ambiente. Provocar incêndio colocando em risco o patrimônio ou a vida de outras pessoas é crime, e os casos podem ser investigados pela polícia. Incêndios afetam áreas de nascentes Os incêndios também atingem áreas importantes para o abastecimento de água da Grande BH. Um estudo divulgado no ano passado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que os incêndios recorrentes estão acelerando a perda de florestas de galeria. Esse ecossistema abriga nascentes responsáveis pelo abastecimento de mais de 5 milhões de pessoas na Grande BH. Segundo a pesquisa, o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça perdeu 40% da cobertura florestal por causa do fogo nos últimos 50 anos. Sem essa vegetação, uma parcela maior da água escoa pela superfície, em vez de penetrar no solo. De acordo com o estudo, houve redução de 18% no volume de água infiltrado. Dados do MapBiomas mostram ainda que as queimadas se intensificaram em Minas Gerais desde 2014. Somente em 2024, mais de 470 mil hectares foram atingidos pelo fogo no estado. Moradores relatam incêndios recorrentes em terreno de Contagem No bairro Campina Verde, em Contagem, na Grande BH, moradores relatam incêndios recorrentes em um terreno próximo à Ceasa. Em uma das ocorrências, as chamas se espalharam pelo terreno, destruíram a fiação e chegaram perto de galpões de empresas da região. José Serafim Filho mora no bairro há quase 50 anos e conta que já perdeu as contas de quantas vezes viu a área pegar fogo. O local também é usado para descarte irregular de lixo e entulho. Uma empresa também funciona ao lado do terreno, que tem mato e entulho. Trabalhadores relatam que os incêndios são recorrentes principalmente durante o período de tempo seco. LEIA TAMBÉM: Moradores de quatro imóveis deixam casas após queda de rochas em Bela Vista de Minas; VÍDEO VÍDEO: motorista flagra momento que carreta desgovernada tomba na BR-040