Longas viagens por ‘rota caipira’ e internet via satélite: como quadrilha transportou quase 6 t de droga e driblou fiscalização

Operação 'Luxury' combate tráfico interestadual de drogas A organização criminosa investigada na Operação Luxury, da Força Integrada de Combate ao Crime...

Longas viagens por ‘rota caipira’ e internet via satélite: como quadrilha transportou quase 6 t de droga e driblou fiscalização
Longas viagens por ‘rota caipira’ e internet via satélite: como quadrilha transportou quase 6 t de droga e driblou fiscalização (Foto: Reprodução)

Operação 'Luxury' combate tráfico interestadual de drogas A organização criminosa investigada na Operação Luxury, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) de Uberlândia, usava uma combinação de rotas alternativas, internet via satélite e apoio logístico estruturado para transportar grandes quantidades de droga sem chamar a atenção da fiscalização. Segundo as investigações, o grupo movimentou quase 6 toneladas de maconha em pelo menos três estados. De acordo com o delegado da Polícia Federal e supervisor da Ficco, Dalton Marinho Vieira Junior, as investigações começaram em 2025, após a apreensão de mais de uma tonelada de maconha na região de Frutal (MG). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp A partir desse flagrante, os investigadores identificaram uma estrutura criminosa organizada, com divisão clara de funções. A droga saía principalmente do Mato Grosso do Sul e chegava a Minas Gerais por caminhos alternativos conhecidos como “rota caipira”, usados justamente para evitar a fiscalização nas rodovias principais. O esquema incluía comboios, sendo que um veículo central transportava a droga, enquanto outros carros atuavam como “batedores”, seguindo à frente e atrás para monitorar a rota e avisar sobre operações policiais. "Foi uma operação extremamente complexa adentrando na região do Triângulo Mineiro. Eles passavam uma viagem que, teoricamente, demorava dez, doze horas, demorava às vezes 10 dias ou 15 dias. Por meio de estradas vicinais, aguardavam quando tinha alguma preocupação e dormiam no carro. Obviamente, há batedores que vão na frente ou verificando o caminho comunicando via starlink de comunicação. Tudo com o objetivo final de se chegar a droga à região do mineira", destacou o delegado federal. Segundo a investigação, os criminosos só seguiam viagem após confirmar que não havia barreiras policiais no trajeto. Para dificultar o rastreamento, os veículos usados eram, muitas vezes, clonados, adulterados ou registrados em nome de terceiros. Outra estratégia que chamou a atenção da polícia foi o uso de galões de combustível dentro dos próprios carros, o que permitia longos deslocamentos sem parar em postos, reduzindo ainda mais o risco de abordagem. Além disso, o grupo fazia deslocamentos noturnos e utilizava estradas vicinais, fora do fluxo principal de veículos. Em alguns trechos, usava chácaras e propriedades rurais para o transbordo das cargas, fragmentando o percurso e dificultando o monitoramento policial. LEIA TAMBÉM: Operação 'Resort do Crime' mira tráfico e lavagem de dinheiro Tolerância Zero: PM remove motos e bicicletas motorizadas irregulares Homem chamado para acompanhar operação acaba preso por não pagar pensão Núcleo logístico aguardava em estradas vicinais quando tinha alguma preocupação quanto à fiscalização em rodovias Ficco/Reprodução Grupo contava com núcleos logístico e financeiro A Ficco identificou um núcleo logístico responsável por preparar veículos, monitorar estradas, coordenar deslocamentos e garantir que cada etapa da operação ocorresse no momento certo. Segundo a polícia, esse suporte era essencial para o funcionamento do esquema. Paralelamente, a organização também atuava na lavagem de dinheiro. Conforme a apuração, eram usadas empresas de fachada, contas de terceiros e transferências financeiras fracionadas, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos valores obtidos com o tráfico. A movimentação financeira considerada atípica ultrapassa R$ 34 milhões, e a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 60 milhões em bens dos investigados. Entre os investigados dentro do chamado "núcleo financeiro" da organização criminosa está a miss Uberlândia, Sara Monteiro, de 36 anos. Ela é esposa de um dos principais alvos da Operação Luxury, apontado como um dos chefes do grupo suspeito. Sara foi presa temporiamente em São Paulo, onde passou a morar recentemente. O g1 não conseguiu contato com a defesa dela. Segundo os investigadores, a exposição da vida de luxo incompatível com renda lícita chamou a atenção durante o andamento das apurações. "De fato nos chamou a atenção no curso das investigações que alguns de seus integrantes ostentaram uma vida economicamente incompatível com sua realidade, com veículos, viagens e até a participação de uma miss que era ali esposa ou namorada de um dos integrantes", afirmou o delegado da Polícia Civil e integrante da Ficco, Rafael Herrera. Operação Luxury; FOTOS Mandados e balanço da operação A Operação Luxury teve como objetivo o cumprimento de 27 mandados de prisão e 42 mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, incluindo Uberlândia, Uberaba, Campo Grande, Dourados, Ribas do Rio Pardo e Vista Alegre. Em Uberlândia, a polícia apreendeu mais de 20 veículos de luxo, como Porsche, BMW e Hilux, e cumpriu mandados em condomínios de alto padrão no setor sul. "A operação obteve um grande êxito. Mais de 95% dos presos foram localizados, todavia encontra-se ainda três foragidos. Devido a essa integração de todas as forças policiais, obviamente, isso contribui e muito para a localização desses investigados que, espero muito positivamente que a gente consiga entregá-los ao sistema penitenciário", concluiu Dalton, supervisor da Ficco. Grupo transportava galões de combustíveis para não parar em posto para abastecer veículos com drogas Ficco/Reprodução VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas