Instituto pede suspensão do Discord no Brasil e indenização de R$ 300 milhões

Discord Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr O Instituto Defesa Coletiva (IDC) pe...

Instituto pede suspensão do Discord no Brasil e indenização de R$ 300 milhões
Instituto pede suspensão do Discord no Brasil e indenização de R$ 300 milhões (Foto: Reprodução)

Discord Discord é uma plataforma de mensagens popular entre os jovens e jogadores de videogame — Foto: Ivan Radic/Flickr O Instituto Defesa Coletiva (IDC) pediu à Justiça a suspensão do Discord no Brasil. A entidade entrou com uma Ação Civil Pública contra a plataforma na última sexta-feira (7). Segundo o IDC, há falhas nos mecanismos de segurança e proteção dos usuários. O pedido de suspensão ocorre em meio à pressão de órgãos do governo federal para que o Discord adote medidas mais rígidas de proteção, principalmente para crianças e adolescentes. A investigação começou após a morte de uma menina de 13 anos, em Mato Grosso do Sul, que teria sido coagida a tirar a própria vida. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Ainda de acordo com o instituto, os problemas envolvem prevenção, identificação de usuários, monitoramento e resposta a denúncias. A entidade afirma que essas falhas podem permitir o uso da plataforma para práticas como aliciamento de crianças e adolescentes, exploração sexual, incentivo à automutilação e ao suicídio, ameaças, extorsões e divulgação de conteúdos violentos. O g1 procurou o Discord para saber o posicionamento da empresa sobre a ação, mas não havia recebido retorno até a última atualização desta reportagem. Na terça-feira (11), a Advocacia-Geral da União (AGU) informou que recebeu uma proposta do Discord para reforçar a segurança de usuários menores de idade. O documento foi entregue após reuniões entre representantes da empresa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública e da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). A ANPD também abriu, na sexta-feira (7), um processo de fiscalização para investigar possíveis falhas da plataforma na proteção de crianças e adolescentes. Agora no g1 O que o Instituto pede Além da suspensão do Discord, o Instituto Defesa Coletiva pede que a empresa seja obrigada a adotar medidas de segurança caso a plataforma continue funcionando no país. Entre as medidas estão: criação de um canal específico, em português, para denúncias graves; protocolo de resposta emergencial para situações de risco à vida ou à integridade física e psicológica; preservação imediata de dados relacionados a usuários e conteúdos denunciados; mecanismos de identificação e rastreamento de usuários; sistemas para detectar, suspender e remover rapidamente comunidades, perfis e conteúdos ligados a atividades criminosas A entidade também pede que o Discord preserve registros de acesso e crie um comitê de acompanhamento das medidas adotadas pela empresa. O Instituto quer ainda que a plataforma seja condenada ao pagamento de pelo menos R$ 300 milhões por danos coletivos, além da reparação individual de consumidores que comprovarem ter sido prejudicados. Morte de adolescente A discussão sobre a segurança do Discord ganhou força após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, a jovem teria sido induzida a atos de automutilação e ao suicídio durante transmissões em grupos na plataforma. O caso levou a ANPD a abrir uma investigação para verificar, entre outros pontos, se o Discord possui mecanismos eficazes para verificar a idade dos usuários e impedir a exposição de menores a conteúdos que incentivem ou facilitem a automutilação e o suicídio. A empresa também passou a negociar medidas de adequação com a AGU. Pressão sobre a plataforma A ação do Instituto Defesa Coletiva é mais um desdobramento da pressão sobre o Discord no Brasil. Além da fiscalização da ANPD e das negociações com a AGU, a plataforma passou a ser alvo de discussões sobre o cumprimento das novas regras brasileiras de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. O Instituto afirma que as ferramentas atualmente oferecidas pelo Discord não são suficientes para impedir a criação e a permanência de comunidades usadas para práticas criminosas. LEIA TAMBÉM: TJMG determina afastamento de juiz que bebeu vinho e fumou em sessão de julgamento Mineiro que passa férias na Colômbia relata desespero após terremoto de magnitude 7,4 atingir o país