Ex-piloto de avião constrói castelo de 17 metros de altura em Uberlândia: 'Legal chegar lá em cima'
Ex-piloto de avião constrói castelo de 17 metros de altura em Uberlândia A ideia era construir apenas uma guarita, em formato de castelo, para reforçar a se...
Ex-piloto de avião constrói castelo de 17 metros de altura em Uberlândia A ideia era construir apenas uma guarita, em formato de castelo, para reforçar a segurança da chácara de Juliano Braga, de 68 anos, em Uberlândia. Mas, à medida que as paredes subiam, a construção também crescia. O que deveria ser uma estrutura pequena acabou se transformando em um castelo de cerca de 17 metros de altura no bairro Mansões Aeroporto. Piloto executivo aposentado, Juliano conta que nunca estudou arquitetura ou engenharia. A inspiração veio de uma paixão antiga por história e das viagens que fez à França para visitar a filha, Caroline Braga, que mora no país e tem três filhos. Durante as visitas, conheceu diferentes castelos e guardou na memória elementos da arquitetura medieval. “Eu sempre fui apaixonado por história. No colégio, eu sempre gostei disso. Aí minha filha mudou para a França, casou com francês e visitei a França algumas vezes e fui em alguns castelos”, contou. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Castelo em Uberlândia Natália Camargo/g1 Sem um projeto arquitetônico pronto ou medidas previamente definidas, ele orientava o pedreiro conforme a obra avançava. Uma parede subia, outra precisava ser ampliada. As proporções eram ajustadas no próprio terreno, com a ajuda de moldes de metal e isopor. “Eu não tinha senso das proporções. Fui meio assim, intuído por alguma coisa, e fui falando para o pedreiro: faz uma parede aqui, faz assim, agora tem que subir mais aqui”, relembrou. O resultado foi uma construção personalizada, inspirada em elementos que Juliano viu em castelos europeus. Há torres pontiagudas, arcos, escadas em espiral e janelas desenhadas especialmente para o imóvel. Segundo ele, as torres foram feitas com estruturas metálicas para evitar excesso de peso. A construção começou em 2020 e ficou pronta por volta de 2024. Por dentro, o espaço ganhou cozinha, banheiro social, uma suíte e outros ambientes, mas não segue necessariamente o estilo medieval do exterior. Na torre mais alta, uma escada caracol leva até uma janela a aproximadamente 17 metros de altura. As outras duas torres não podem ser acessadas porque não têm estrutura para subida. “É muito legal para chegar lá em cima”, riu. Juliano Braga Gabriel Reis/g1 Do castelo ao vulcão A criatividade de Juliano, porém, não terminou nas muralhas. No terreno de cerca de 5 mil metros quadrados, ele também construiu uma espécie de vulcão inspirado no Monte Fuji, a montanha mais alta do Japão e um dos símbolos do país. A referência tem relação com a família: a esposa dele, Masako Kotani, que Juliano prefere chamar de Terezinha, é descendente de japoneses. O vulcão foi moldado com concreto e ganhou um sistema de água. Um cano foi colocado no interior da estrutura e conectado a um aspersor. Uma lâmpada vermelha instalada na abertura completa o efeito. Quando o mecanismo é ligado, a água é lançada para cima, enquanto a iluminação vermelha cria a impressão de lava no interior do vulcão. “Eu fui jogando concreto lá, mais ou menos no formato do Monte Fuji, e pus um cano”, explicou. Monte Fuji feito em homenagem Gabriel Reis/g1 A propriedade ainda tem piscina, pequenas pontes, uma cachoeira que forma um riacho, roda d'água e dois monjolos de madeira. Todos os elementos fazem parte de um sistema de circulação de água. Além de comporem o cenário, as pontes têm uma função prática: ajudam o próprio Juliano na manutenção da piscina. “Além de ficar bonito, facilita na hora de fazer aspiração, tratamento da água” Um castelo feito sem pressa Juliano não sabe dizer quanto gastou na construção. No início, registrava os gastos, mas perdeu a conta conforme a obra avançou. Como muitos elementos foram feitos sob medida, ele disse que a obra também exigiu soluções improvisadas. O serralheiro responsável pelas torres, por exemplo, nunca havia produzido estruturas daquele tipo. Juliano também participou diretamente da obra. Ele ajudava na construção e, segundo conta, chegou a preparar a massa enquanto orientava o pedreiro. “Eu também agarrava, pegava na enxada para fazer a massa, ajudava ele”, contou. Castelo tem cerca de 17 metros de altura Gabriel Reis/g1 A relação com a arquitetura medieval, segundo ele, não surgiu da vontade de ostentar. Pelo contrário. Juliano afirma que nunca teve a intenção de transformar o castelo em símbolo de riqueza ou poder. A ideia era construir algo de que gostasse, quase como alguém que compra um carro antigo simplesmente porque aprecia aquele estilo. “Eu gosto muito dessas coisas antigas. É para ficar namorando, que nem os outros”, brincou. 'Três coisas que criança é apaixonada' A inspiração para o castelo também se mistura com outra vontade do piloto: criar um espaço que possa ser aproveitado por crianças. Juliano tem quatro netos: três vivem na França e um no Brasil. Ele diz que gosta muito de crianças e, por isso, pensa em ampliar a estrutura para permitir que grupos conheçam o local. “Tem três coisas que criança é apaixonada: castelo, avião e mágica.” O plano é, no futuro, conseguir um avião de tamanho real que já não tenha condições de voar para transformar a propriedade em uma espécie de espaço de visitação. Ele também gostaria de aprender mágica. A intenção, diz, é receber crianças de escolas, mostrar o castelo e o avião e promover atividades no local. O plano ganhou força depois que imagens do castelo começaram a circular na internet. Juliano conta que não havia planejado divulgar a construção, mas mudou de ideia ao perceber a repercussão. “Se é para levar alegria para as pessoas, para as crianças principalmente, eu falei: pode vir filmar. Para engrandecer o visual aqui do bairro, da cidade”, disse. Área onde Juliano quer colocar um avião Gabriel Reis/g1 LEIA TAMBÉM: ‘Nunca vivi de máscara’: primeira PM trans de MG conta sua história dentro e fora da corporação Barriga de aluguel ajuda casal gay a realizar sonho de filhos biológicos Influenciadora mineira faz da cozinha um palco e se torna ‘diva pop’ com vídeos de culinária De São Paulo para Uberlândia Apesar de ter construído um castelo em Uberlândia, Juliano não nasceu em Minas Gerais. Ele nasceu em São Bernardo do Campo, em São Paulo, mas cresceu em São José do Rio Pardo, onde viveu até os 20 anos. A chegada ao Triângulo Mineiro aconteceu por causa da profissão. Formado como piloto, ele veio para a região aos 24 anos para trabalhar em uma empresa que antecedeu o Martins. Depois, passou a trabalhar no grupo, onde permaneceu por 34 anos. Foi em Uberlândia que Juliano construiu a maior parte da vida, criou a família e teve o filho Leonel Kotami Braga, que também é piloto e atualmente trabalha para a mesma empresa à qual o pai dedicou 34 anos. Juliano diz ter uma relação especial com a cidade. Para ele, a mudança para Minas parece ter sido anunciada ainda na infância, quando encontrou por acaso uma representação do mapa de Minas Gerais em um antigo porão do clube recreativo onde trabalhava. Aos 11 anos, sem saber exatamente o que tinha encontrado, Juliano ficou impressionado com a peça. Mais velho, ele lembra do episódio como uma espécie de coincidência significativa. “Eu tive assim uma impressão que o meu destino era vir morar aqui em Minas, no Triângulo”, contou. Juliano guarda seus livros de aviação no interior do castelo Gabriel Reis/g1 'Depois que vai envelhecendo, vai virando criança outra vez' Atualmente, longe da rotina de piloto, Juliano diz que pretende dedicar mais tempo à chácara, à jardinagem e às invenções que ainda quer tirar do papel. Ele cuida pessoalmente da jardinagem e da piscina e diz estar feliz com a vida que construiu. A paixão pelo castelo, pelos aviões, pela jardinagem e pelas ideias que ainda quer realizar também tem, para ele, relação com a passagem do tempo. “Depois que vai envelhecendo, vai virando criança outra vez”, resumiu. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo