De retalhos à passarela: mulheres criam moda circular e resgatam ancestralidade em MG

De retalhos à passarela mulheres criam moda circular e resgatam ancestralidade em Carmo do Cajuru Ariane Santos/Arquivo Pessoal Em Carmo do Cajuru, no Centro-O...

De retalhos à passarela: mulheres criam moda circular e resgatam ancestralidade em MG
De retalhos à passarela: mulheres criam moda circular e resgatam ancestralidade em MG (Foto: Reprodução)

De retalhos à passarela mulheres criam moda circular e resgatam ancestralidade em Carmo do Cajuru Ariane Santos/Arquivo Pessoal Em Carmo do Cajuru, no Centro-Oeste de Minas, o projeto “Ecos da Ancestralidade” uniu fé, arte e sustentabilidade ao transformar resíduos industriais em peças de moda criadas por mulheres da comunidade. A iniciativa começou em 2024, em um formato piloto, e ofereceu formação em design circular e upcycling, reaproveitando materiais em bom estado para gerar renda e valorizar a cultura do Reinado de Nossa Senhora do Rosário. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Idealizado por Ariane Santos, CEO da Badu Design, o projeto buscou mostrar como materiais descartados podem ganhar novo uso e significado. “Essas mulheres descobriram que também são criadoras, empreendedoras e protagonistas de suas histórias. O design é uma ferramenta de emancipação”, destacou Ariane. As participantes não são exclusivamente integrantes do Reinado, mas fazem parte da comunidade local e têm relação com a tradição. Elas receberam formação prática e desenvolveram uma coleção de produtos, como bolsas e acessórios feitos com uniformes antigos, toalhas e outros tecidos residuais. A venda das peças ocorreu durante um evento da Irmandade. Dez por cento da renda ficou para o projeto social da instituição, e o restante foi destinado às próprias mulheres. Muitas delas continuam comercializando os produtos de forma independente. De retalhos à passarela: Mulheres da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário criam moda circular e resgatam a ancestralidade em Carmo do Cajuru Ariane Santos/ Arquivo pessoal Cristiana Silva Moreira dos Santos, Rainha Conga da Irmandade, já atuava na criação de adereços do Reinado e pretende ampliar sua experiência na costura, área em que trabalhou por muitos anos. “Para mim foi uma experiência maravilhosa. Ariane tem um diferencial muito grande quando fala do cuidado com o meio ambiente, e essa é uma das grandes preocupações minhas”, contou. Outra participação importante foi a de Olívia Joana Rodrigues, da Diretoria Administrativa da Irmandade. Morando em Curitiba, ela ajudou a implantar o projeto e liderou a coleta de materiais que seriam descartados. “Minha participação foi conseguindo material: sobra de tecidos, couro, linhas, fibra de enchimento que seriam descartadas no lixo. Este projeto dá prazer”, afirmou. O encerramento do piloto aconteceu com um desfile durante a Festa de Nossa Senhora do Rosário, quando as mulheres apresentaram as peças produzidas. Ariane reforça que ações como essa ganham importância diante do volume de resíduos gerados pela indústria da moda. “Cada resíduo transformado é uma oportunidade de regenerar não só o meio ambiente, mas também o futuro das pessoas”, disse. Com a primeira edição concluída, os organizadores avaliam a continuidade e a possibilidade de novas etapas, mantendo a proposta de unir tradição, criatividade e sustentabilidade em Carmo do Cajuru. LEIA TAMBÉM: Batuques e dois mil dançarinos: conheça a tradição que move uma cidade Consciência negra no cotidiano: como fé, cultura e tradição seguem vivas Igreja de Nossa Senhora do Rosário, símbolo de resistência do povo preto ASSISTA ABAIXO - Economia mais sustentável em expansão em Divinópolis Economia mais sustentável em expansão em Divinópolis *Estagiária sob supervisão de Mariana Dias VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas