Caso de advogada que morreu ao ser jogada de 8º andar de prédio em BH completa 4 anos sem desfecho

Carolina Magalhães e Raul Lages Reprodução/Redes sociais; reprodução/OAB-MG O caso da advogada Carolina França Magalhães, que morreu ao ser jogada do oit...

Caso de advogada que morreu ao ser jogada de 8º andar de prédio em BH completa 4 anos sem desfecho
Caso de advogada que morreu ao ser jogada de 8º andar de prédio em BH completa 4 anos sem desfecho (Foto: Reprodução)

Carolina Magalhães e Raul Lages Reprodução/Redes sociais; reprodução/OAB-MG O caso da advogada Carolina França Magalhães, que morreu ao ser jogada do oitavo andar de um prédio em Belo Horizonte, completa quatro anos nesta segunda-feira (8) sem um desfecho. O acusado do crime e namorado dela à época, Raul Rodrigues Costa Lages, vai a júri popular por feminicídio, mas o julgamento ainda não tem data marcada. A vítima foi morta em 8 de junho de 2022, aos 40 anos. O caso foi tratado como suicídio até 2024, quando, após uma reviravolta, passou a ser considerado homicídio triplamente qualificado (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Em outubro de 2025, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza considerou as provas do processo suficientes para admitir a hipótese de um crime cometido por motivo torpe, contra mulher e mediante recurso que dificultou a defesa da advogada. Na mesma sentença, ela concedeu a Raul Rodrigues Costa Lages o direito de recorrer em liberdade. "Portanto, havendo suporte probatório mínimo para a admissão das referidas qualificadoras, deve a integralidade da acusação ser submetida ao crivo do Tribunal Popular do Júri", determinou a magistrada à época. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o Fórum Lafayette, no momento, a ação se encontra em grau de recurso na 2ª instância do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e depende de avaliação da Corte para, só então, o caso ser definitivamente levado a júri popular. "Apenas após a fase de recurso relativa à sentença de pronúncia, caso mantida, o processo será redistribuído para um dos Tribunais do Júri da Capital e a sessão de julgamento será marcada", informou a comarca. Em nota, a família de Carolina França Magalhães afirmou que segue todos os dias "carregando a lembrança de quem ela foi em vida, e não apenas a forma como ela partiu" e que, por isso, escolheu manter "seu nome e sua história vivos". "Quatro anos depois, seguimos cobrando justiça, acompanhando ostensivamente cada etapa do processo. A memória da Carol também é um compromisso. O feminicídio que a tirou de nós não é um caso isolado: é parte de uma violência que mata mulheres todos os dias no Brasil. Falar da Carol é também dizer que nenhuma dessas mortes pode ser tratada como destino ou estatística", disse o advogado e irmão de Carolina, Demian Magalhães. Procurada pelo g1, a defesa de Raul Rodrigues Costa Lages disse que aguardará a manifestação da Justiça. "Estamos seguros de que a verdade dos acontecimentos e a inocência de Raul serão reconhecidas", afirmou o advogado Guilherme Colen. Relembre o caso Raul Rodrigues Costa Lages, acusado pela morte de Carolina da Cunha Pereira França Magalhães, em depoimento à Justiça. Reprodução A advogada Carolina França Magalhães morreu na noite de 8 de junho 2022, aos 40 anos, quando caiu do oitavo andar de um prédio no bairro São Bento, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ela deixou dois filhos. À época, a morte dela foi tratada como suicídio. No entanto, após contradições apontadas pela família e novas diligências, em novembro de 2024, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais e tornou o namorado de Carolina, o advogado Raul Rodrigues Costa Lages, réu por feminicídio no processo. Para familiares e amigos, a versão de que a mulher se matou nunca fez sentido. E o irmão da vítima, o também advogado Demian Magalhães, começou a recolher provas logo após o crime. "Na noite do crime, a polícia não foi até a portaria onde fica a tela com o gravador das câmeras para pedir acesso. No dia seguinte ao falecimento dela, eu fui à portaria do prédio e pedi esse acesso. Essa foi a primeira vez que a gente viu a sequência dos fatos e viu que a versão que ele tinha apresentado não batia com a realidade", contou. A reviravolta na investigação da morte de uma advogada, que caiu do oitavo andar, em BH Segundo as imagens obtidas pela reportagem da TV Globo, no dia 8 de junho de 2022, o desenrolar dos fatos aconteceu da seguinte maneira: Raul e Carol entram no elevador às 19h31. Uma hora depois, Raul desce de bermuda e camiseta para pegar comida. Volta em cinco minutos. Às 21h11, Lucas e Vitor, filhos de Carolina, deixam o apartamento da mãe para assistir a um jogo de futebol em um bar perto de casa. Às 23h10 é possível ver que o sensor da câmera da área de lazer do prédio acende. Um minuto depois, o porteiro vai até o local e se aflige ao ver o corpo no chão. Às 23h14, quando Carolina já estava morta, o elevador estava parado na portaria. E é acionado para o 8º andar. Raul Lages entra com as roupas trocadas, de terno, com uma mochila e duas sacolas, aparentemente pesadas. Ele vai em direção à portaria e, ao tentar sair do prédio, encontra o porteiro desorientado, que o leva até o local onde o corpo está caído. Cerca de um minuto depois, Raul Lages sai falando ao celular, coloca as sacolas no porta-malas do carro que estava estacionado na rua e arranca. Uma ambulância chega. Nesse momento, Raul estaciona o carro e resolve voltar. Às 23h20, os dois filhos de Carolina entram no prédio e se desesperam ao saber da morte da mãe. Para a Polícia Civil, Raul teve tempo suficiente para tentar esconder o cenário de violência. Ele trocou a roupa de cama, passou pano para tirar as manchas de sangue e colocou tudo para lavar. O advogado também recolheu todas as roupas dele que estavam no apartamento e ainda pegou o pedaço cortado da tela de proteção, jogou na lixeira e guardou a tesoura na gaveta da cozinha. RELEMBRE: Fantástico tem acesso às câmeras de segurança que registraram morte de advogada em MG PM que atendeu ocorrência de advogada morta ao cair do 8º andar diz ter sido orientado a liberar namorado da vítima Contradições em depoimento Em agosto deste ano, Raul Rodrigues Costa Lages foi ouvido pela Justiça. Ele entrou em contradição em vários momentos do depoimento. Além disso, o réu se recusou a responder os questionamentos formulados pela acusação — o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o advogado que representa a família da vítima. Ele se limitou às perguntas feitas por sua defesa e pela juíza. Durante a fase de investigações e elaboração do inquérito, Raul disse à Polícia Civil que, no momento em que Carolina caiu da janela, ele já estaria no interior do elevador do prédio, de onde teria escutado um "forte" barulho enquanto descia — sugerindo que fosse o impacto do corpo da vítima ao solo. Em juízo, corrigiu-se para dizer que o barulho ouvido podia estar relacionado a fogos e torcida durante um jogo de futebol que ocorria naquela noite. Tentando corrigir outras inconsistências do interrogatório na polícia, Raul alegou ter ficado algum tempo na porta do apartamento arrumando sacolas que levava consigo antes de acionar o elevador. As imagens de segurança do circuito interno de segurança demonstraram que ele acionou o elevador pelo menos quatro minutos após a queda. Raul também mudou a versão sobre ter mantido relações sexuais com a vítima no dia da ocorrência. Laudos confirmaram a presença de esperma no corpo de Carolina. À polícia, ele havia negado o contato. Mas à Justiça, respondeu que sim, no período da manhã daquele dia. Vale destacar que o réu se recusou a fornecer material genético para ajudar na elucidação do caso. Questionado sobre o consumo de entorpecentes, ele respondeu que não utilizava substâncias ilícitas. Entretanto, durante uma ação de busca e apreensão no imóvel onde residia, drogas foram encontradas no quarto dele. Raul, então, assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) — documento jurídico que registra infrações de menor potencial ofensivo. Ao g1, a defesa de Raul Lages negou haver contradições no depoimento, mas "esclarecimentos mais detalhados". Raul Rodrigues Costa Lages Reprodução/OAB-MG Carolina da Cunha Pereira França Magalhães morreu aos 40 anos Reprodução/redes sociais LEIA TAMBÉM: Quem é advogada morta após cair do 8º andar de prédio; suspeito do crime é o namorado Justiça nega pedido de autópsia psicológica em advogada que caiu do 8º andar de prédio Homem vira réu suspeito de jogar namorada do 8º andar de prédio; caso era tratado como suicídio Vídeos mais assistidos do g1 Minas